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16/02/2010 às 10h36min - Atualizada em 16/02/2010 às 11h12min
Administrador - Juiz de Fora(MG)
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Carnaval - Uma Antagonia ao Cristianismo

Este estudo simples se destina à compreensão histórica e espiritual do significado do carnaval.  O objetivo maior é uma análise das premissas dessa festa à luz dos princípios bíblicos e cristãos, e a busca por um comportamento mais criterioso diante da festa que tem tamanho apelo popular, e que com o passar do tempo, tem seu significado cada vez mais ignorado pelas novas gerações.  Foi montado a partir do texto do ICP (Instituto Cristão de Pesquisas, publicado em http://www.icp.com.br/31materia1.asp  acessado em 03/02/2010, com as observações e alterações pessoais.


 Origem histórica da festa do rei Momo

A palavra carnaval deriva da expressão latina carne levare, que significa abstenção da carne. Este termo começou a circular por volta dos séculos XI e XII para designar a véspera da quarta-feira de cinzas, dia em que se inicia a exigência da abstenção de carne, ou jejum quaresmal. Comumente os autores explicam este nome a partir dos termos do latim tardio carne vale, isto é, adeus carne, ou despedida da carne; esta derivação indicaria que no carnaval o consumo de carne era considerado lícito pela última vez antes dos dias do jejum quaresmal.


Outros estudiosos recorrem à expressão carnem levare, suspender ou retirar a carne: o Papa São Gregório Magno teria dado ao último domingo antes da quaresma, ou seja, ao domingo da qüinquagésima, o título de dominica ad carnes levandas; a expressão haveria sido sucessivamente abreviada para carnes levandas, carne levamen, carne levale, carneval ou carnaval – um terceiro grupo de etmologistas apela para as origens pagãs do carnaval: entre os gregos e romanos costumava-se exibir um préstito em forma de nave dedicada ao deus Dionísio ou Baco, préstito ao qual em latim se dava o nome de currus navalis: de onde vem a forma carnavale.


A real origem do carnaval é um tanto obscura. Alguns historiadores assentam sua procedência sobre as festas populares em honra aos deuses pagãos Baco e Saturno. Em Roma, realizavam-se comemorações em homenagem a Baco (deus de origem grega conhecido como Dionísio e responsável pela fertilidade. Era também o deus do vinho e da embriaguez). As famosas bacanais eram festas acompanhadas de muito vinho e orgias, e também caracterizadas pela alegria descabida, eliminação da repressão e da censura e liberdade de atitudes críticas e eróticas. Outros estudiosos afirmam que o carnaval tenha sido, talvez, derivado das alegres festas do Egito, que celebravam culto à deusa Isís e ao deus Osíris, por volta de 2000 a.C. 


A Enciclopédia Britânnica afirma: Antigamente o carnaval era realizado a partir da décima segunda noite e estendia-se até a meia-noite da terça-feira de carnaval. Outra corrente de pensamento entende que o carnaval teve sua origem em Roma. Enquanto alguns papas lutaram para acabar com esta festa (Clemente, séculos IX e XI, e Benedito, século XIII), outros, no entanto, a patrocinavam. 


A ligação desta festa com o povo romano tornou-se tão sólida que a Igreja Romana preferiu, ao invés de suspendê-la, dar-lhe uma característica católica. Ao olharmos para países como Itália, Espanha e França, vemos fortes denominadores comuns do carnaval em suas culturas. Estes países sofreram grandes influências romanas. O antigo Rei das Saturnais, o mestre da folia, é sempre morto no final das antigas festas pagãs. 




A origem do carnaval no Brasil

O primeiro baile de carnaval realizado no Brasil ocorreu em 22 de janeiro de 1841, na cidade do Rio de Janeiro, no Hotel Itália, localizado no antigo Largo do Rócio, hoje Praça Tiradentes, por iniciativa de seus proprietários, italianos empolgados com o sucesso dos grandes bailes mascarados da Europa. Essa iniciativa agradou tanto que muitos bailes o seguiram. Entretanto, em 1834, o gosto pelas máscaras já era acentuado no país por causa da influência francesa.

Ao contrário do que se imagina, a origem do carnaval brasileiro é totalmente européia, sendo uma herança do entrudo português e das mascaradas italianas. Somente muitos anos depois, no início do século XX, foram acrescentados os elementos africanos, que contribuíram de forma definitiva para o seu desenvolvimento e originalidade.


Nessa época, o carnaval era muito diferente do que temos hoje. Era conhecido como entrudo, festa violenta, na qual as pessoas guerreavam nas ruas, atirando água uma nas outras, através de bisnagas, farinha, pós de todos os tipos, cal, limões, laranjas podres e até mesmo urina. Quando toda esta selvageria tornou-se mais social, começou então a se usar água perfumada, vinagre, vinho ou groselha; mas sempre com a intenção de molhar ou sujar os adversários, ou qualquer passante desavisado. Esta brincadeira perdurou por longos anos, apesar de todos os protestos. Chegou até mesmo a alcançar o período da República. Sua morte definitiva só foi decretada com o surgimento de formas menos hostis e mais civilizadas de brincar, tais como o confete, a serpentina e o lança-perfume. Foi então que o povo trocou as ruas pelos bailes.

  Símbolos carnavalescos


Como em qualquer manifestação popular, o carnaval também se utilizou de formas simbólicas para aguçar a criatividade do povo e, conseqüentemente, perpetuar sua história. As fantasias apareceram logo após as máscaras, por volta de 1835, dando um colorido todo especial à festa. Com o passar dos anos, as pessoas iam perdendo a inibição e as fantasias, que a princípio eram usadas como disfarce (por serem quentes demais), foram dando lugar a trajes cada vez mais leves, chegando ao nível que vemos hoje, de quase completa nudez. Independente das mudanças, os grandes bailes, portanto, permaneceram realizando concursos de fantasias, incentivando a competição entre grandes figurinistas e modelos.



 


O primeiro baile de carnaval no Brasil foi realizado em 1841, na cidade do Rio de Janeiro, e, desde então, não parou mais. No começo eram apenas bailes de máscaras e a música era a polca, a valsa e o tango. Havia também coros de vozes para animar a festa. Nota-se que nem sempre foi tocado o samba, mas modinhas. Os escravos contribuíram com o carnaval com um estilo de música chamado lundu, ritmo trazido de Angola. Tal ritmo, no entanto, por ser considerado indecente, limitava-se apenas às senzalas. Contudo, permaneceu durante todo o século XIX.


Com esta fusão de ritmos nasce o semba, uma expressão do dialeto africano quibundo. Essa expressão passou por uma aculturação e se tornou o que chamamos hoje de samba. O samba se popularizou nos entrudos, pois em sua origem este ritmo não era propriamente música, mas uma dança feita nos quilombos. Todo este contexto histórico nos leva até os anos 20, ocasião em que nasce aquilo que hoje é chamado de a excelência do samba, ou seja, o samba de enredo. 


Devido à sua origem pagã, e pelo fato de ser uma festa um tanto obscena, a relação entre a Igreja Romana e o carnaval nunca foi amigável. No entanto, o que prevaleceu por parte da igreja foi uma atitude de tolerância quanto à essa manifestação, até porque a liderança da igreja não conseguiu eliminá-la do calendário. A solução, então, foi: se não pode vencê-los, junte-se a eles. Daí, no século XV, a festa da carne, por assim dizer, foi incorporada ao calendário da igreja, sendo oficializado como a festa que antecede a abstinência de carne requerida pela quaresma: Por fim, as autoridades eclesiásticas conseguiram restringir a celebração oficial do carnaval aos três dias que precedem a quarta-feira de cinzas (em nossos tempos, alguns párocos bem intencionados promovem, dentro das normas cristãs, folguedos públicos nesse tríduo a fim de evitar que sejam os fiéis seduzidos por divertimentos pouco dignos). Como se vê, a igreja não instituiu o carnaval; teve, porém, de o reconhecer como fenômeno vigente no mundo em que ela se implantou. Sendo em si suscetível de interpretação cristã, ela o procurou subordinar aos princípios do Evangelho; era inevitável, porém, que os povos não sempre observassem o limite entre o que o carnaval pode ter de cristão e o que tem de pagão. Esta claro que são contrários às intenções da igreja os desmandos assim verificados. Em reparação dos mesmos foram instituídas adoração das quarenta horas e as práticas de retiros espirituais nos dias anteriores à quarta-feira de cinzas.


José Carlos Sebe escreveu: Apenas no século XV, provavelmente movido pelo sucesso popular da festa, o Papa Paulo II a incorporou no calendário cristão. Aliás, Paulo II foi mais longe, chegando a patrocinar toda uma rica celebração antes do advento da Quaresma. Não apenas o carnaval popular foi organizado pelos papas. Paulo IV promoveu uma terça-feira gorda, um lauto jantar onde compareceu o sacro colégio romano, e o festim regado a vinho pôde ser considerado uma das primitivas celebrações em salão fechado.


A tentativa da Igreja Católica Romana na cristianização do carnaval e sua atual justificativa é totalmente inconseqüente, infeliz e irresponsável. Não existe uma referência bíblica sequer favorável ao seu argumento. Pelo contrário. Existe todo um contexto bíblico explicitamente contrário à essa manifestação popular. Todos os especialistas cristãos sabem muito bem quando devem aplicar a transculturação cristã em determinada manifestação cultural (como exemplo, o Natal, período em que ocorre a mudança do objeto de culto e a extirpação total da velha ordem, transformação das simbologias e referências). Sabem também quando à determinada comemoração popular é impossível aplicar quaisquer processos de cristianização.


O carnaval é um exemplo real da sobrevivência do paganismo, com todos os seus elementos presentes. É a explicita manifestação das obras da carne: adultério, prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçaria, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias, e coisas semelhantes. O apóstolo Paulo declara inequivocamente que os que cometem tais coisas não herdarão o reino de Deus (Gl 5.19-21).

 COMO CALCULAR A DATA DO DOMINGO DE PÁSCOA

 O Concílio de Nicea (325 d.C.)  fixou a data da Páscoa no primeiro domingo após a primeira Lua Cheia da Primavera. 


 Convém, ainda, notar o seguinte: 


- A data da Páscoa nunca pode ocorrer antes de 22 de Março nem depois de 25 de Abril. Se o cálculo ultrapassar este último limite, passa para o domingo anterior.



 


- O dia de Carnaval, sempre à terça-feira, é 47 dias antes da Páscoa. O Dia da Ascensão, numa quinta-feira, 39 dias depois. O Domingo de Pentecostes, 49 dias depois. O Corpo de Deus, numa quinta-feira, 60 dias depois.


 Como cristãos, não podemos concordar e muito menos participar de tal comemoração, que vai contra os princípios claros da Palavra de Deus: Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito (Rm 8.5-8). Porque fostes comprados por bom preço; glorificai, pois, a Deus no vosso corpo, e no vosso espírito, os quais pertencem a Deus (1 Co 6.20).


 É sabido e claramente visto que o carnaval, ou a “Festa dos Loucos”, é uma ocasião marcada por exageros.  Há uma luta da mídia por mascarar isso, uma tentativa de se mostrar um modelo de festa de alegria, confraternização e, claro, muita entrada de dinheiro nos locais onde a festa tem mais apelo popular.

 Porém, nos noticiários posteriores às festas, junto com os relatos de bailes e desfiles, é notória a massa de acidentes rodoviários, mortes, estupros, violência nas ruas e em festas, além da sujeira colossal que se encontra.

 Mais perigoso ainda é ver que a impiedade, a falta de limites e os abusos perduram depois nas festas universitárias, micaretas, raves, que estão atreladas no desejo de se perpetuar o culto ao ego e ao prazer. O desejo de satisfação pessoal é aumentado à medida em que se deixa levar pelas festividades de Momo.

 Quando observamos o que a Bíblia traz sobre a satisfação pessoal a qualquer custo, lembramos de Esaú, que vendeu sua maior promessa (a primogenitura e tudo o que acarretaria dela) por um prato com um guisado e lentilhas. O vermelho (uma das ligações à palavra Edom e sua raiz no hebraico) se tornou uma marca de um dos adversários do povo de Deus, os edomitas. Além disso, o hedonismo tem sua ligação mais estreita ao prazer humano, carnal, em detrimento da entrega ou adoração ao Criador.

 No carnaval, nada além do prazer do homem é destacado. São dias de se ir ao extremo, pois depois haverá a quaresma e a páscoa. Na teoria, uma deixa dos prazeres. Na prática, uma “barganha” com Deus: primeiro o meu prazer, minha conquista de satisfação à qualquer custo, e depois vou me arrepender e buscar o Criador. Nada mais interesseiro e sujo nessa sistemática. Creio firmemente que aqueles que crêem em Jesus como Senhor devem abominar as festas carnavalescas. Não à hostilidade, violência, mas sim à total reprovação e a busca para que tal festa seja deixada.

 A vida cristã envolve fundamentalmente rompimentos com o pecado, com a carne, com a impureza. Não há quarta-feira de cinzas para os verdadeiros cristãos.

 Aqueles que entendem que com a carne não se negocia devem se colocar numa atitude de vigilância e dedicação à Palavra de Deus contra tais festas.

 Oração, consagração e busca de intervenções divinas para que tais práticas sejam abandonadas.

 Triste notar que muitos crentes assumem uma postura distinta dessa.

 Creio que cada Igreja deve assumir sua condição de buscar na Bíblia o entendimento para essa questão.  A questão de buscar argumentos falaciosos tais como o “fiz de tudo para com todos para ganhar alguns” não é correta, pois na maioria das vezes esse argumento parte de algo prazeroso (danças, festas, negócios lucrativos...) mas nunca vi ninguém virar doente para ganhar doentes, ou paupérrimo para ganhar os tais, e por aí vai.

 Pode parecer duro, mas é isso mesmo. Logo, é mister usar de maturidade e verdadeira busca bíblica para se discernir o que fazer  como igreja nos dias de carnaval.  Se a igreja optar por evangelização, deve fazê-lo com santidade e mostrando diferenças, não semelhanças com o mundo. Se investir em retiros, que o faça para crescimento, maturidade e verdadeira consagração dos participantes para que retornem mais crentes na verdade. 


O cerne do problema do carnaval é o mesmo cerne do problema da igreja atual. O EU na frente de Deus. A maioria das igrejas de hoje busca no evangelho sua satisfação pessoal (hedonismo) em detrimento do amor e consagração a Deus. 


Nos cânticos vemos, na maioria das vezes, o EU no centro das letras, e ainda as afirmações de que EU posso, EU faço, EU determino... E que Deus obedeça e cumpra. A falta de temor de Deus é exatamente o espírito que tem permeado muitas igrejas em suas celebrações, e em seus templos vê-se danças, pulos, palmas, gritos (não que eu seja contra isso) em favor do homem, não de Deus, embora seja dito o contrário.

 Onde estão as letras que dizem a respeito de Jesus e o exaltam sobre tudo, até mesmo do prazer pessoal?

 Onde estão as pregações que dizem: “Senhor, seja como tu queres, não como eu quero”?

 Onde vemos a oração de Jesus sendo repetida: “seja feita a Tua vontade”?

 Creio que se pesarmos bem, o carnaval está bem perto do altar do Senhor, e nisso é preciso arrependimento e coragem para retornar, reformar nosso altar. Purificação verdadeira.

 Pense nisso. Deus nos ajude, e tenha misericórdia de nós.

                                                                                                                            Rev. Jefferson Marques Reinh 


























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